Conheça
os motivos que fazem com que adolescentes estudem na Educação de Jovens e
Adultos
Elisângela
Fernandes. Colaboraram Anderson Moço, de Juazeiro do Norte, CE, Aurélio Amaral,
de Sertãozinho, SP, Beatriz Vichessi, de Marabá, PA, Rodrigo Ratier, de
Teresina, PI, e Verônica Fraidenraich, de Curitiba, PR
2ª
Parte
O sistema
educacional e seus problemas
Os demais motivos
que levam a garotada a se matricular na EJA têm a ver com a falta de qualidade
do sistema de ensino e suas consequências:
- Reprovação e evasão O estudo do MEC aponta que a
repetência de 17,4% na 7ª série e 22,6% na 8ª série só não é maior devido ao
aumento da evasão escolar. Em 2005, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou que a taxa de evasão cresce
continuamente ao longo dessa etapa de Educação (na 1ª série é de 1%, na 5ª, de
8,3%, e na 8ª, de 14,1%).
- Distância da escola no campo Reunir alunos da zona rural em uma só
escola núcleo é uma saída das redes para garantir que os professores alcancem o
número mínimo de aulas e reduzir os gastos com infraestrutura e transporte.
Isso, no entanto, nem sempre é positivo para muitos dos alunos: a distância
passa a ser mais um empecilho para que sigam estudando.
- Desmotivação Sem se interessar pelo que a escola oferece, vários
adolescentes deixam de frequentar as aulas e só tempos depois retornam, cientes
da importância dos estudos. Não só o currículo mas também a forma como ele é
trabalhado provocam o desinteresse. "Às vezes, frequentar a igreja ou
assistir à televisão são atividades mais atraentes do que o conteúdo das
disciplinas", diz Eliane Ribeiro Andrade, professora da Faculdade de Educação
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Adequar as aulas às
necessidades dos alunos que têm mais de 15 anos e ainda estão no Ensino
Fundamental, e não esperar que o contrário ocorra, é um desafio. "Isso é
possível quando são propostas diferentes estratégias para ajudá-los a superar
as dúvidas e dificuldades do cotidiano", explica Cleuza Repulho,
presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e
secretária de Educação de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
- Decisão do gestor Trata-se da atitude irresponsável de
empurrar casos considerados problemáticos para as turmas de EJA. Dessa forma,
os diretores buscam se livrar da indisciplina e evitar que os resultados da
escola nas avaliações externas piorem, o que impacta o cálculo do Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Um verdadeiro processo de
higienização do Ensino Fundamental, que reconhece as turmas de EJA como algo
menor e sem importância. Para superar o problema, é preciso investir em formação
e conscientização dos gestores.
·
Publicado em NOVA ESCOLA Edição 244, Agosto 2011.
Título original: No meio do caminho havia (muitas) pedras.








Nenhum comentário:
Postar um comentário