segunda-feira, 22 de maio de 2017

Finlândia: país que se tornou referência mundial na Educação.

A escola já entrou na fase 3.0, pois a 2.0 ficou para trás.” É assim que Marjo Kyllönen, Secretária de Educação Básica de Helsinque, descreve o atual momento da Educação da Finlândia. O país virou referência na área, com a menor lacuna de aprendizagem entre o melhor e o pior aluno, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pela avaliação do PISA.

Na escola do futuro finlandesa, os educadores dão foco em aprendizagem significativa e competências holísticas, os alunos têm participação ativa na aprendizagem e são incentivados a buscar caminhos individuais de estudo. Além disso, o ambiente escolar enfatiza as competências sociais e a colaboração. Sua renovação curricular foi iniciada a partir da escuta de vários públicos: educadores, pais, alunos e administradores do sistema.
Em São Paulo a convite da Conexia, empresa de soluções educacionais do Grupo SEB que faz parceria acadêmica com a Universidade de Helsinque, Marjo contou à NOVA ESCOLA sobre o trabalho envolvido nas discussões e na implementação de Base Nacional Curricular finlandesa.
Um grande desafio de se ter uma base curricular comum a todas as escolas é a implementação. Os Estados Unidos, por exemplo, têm enfrentado dificuldades nesse processo a ponto de uma das propostas da candidatura de Donald Trump era acabar com o Common Core. A que se deve o sucesso na implementação do currículo comum na Finlândia? 
O principal fator foi a coerência na preparação desse novo currículo, planejada e realizada envolvendo os atores locais no processo. Ou seja, incluiu dos professores de Educação Básica e de universidades, os administradores, como eu, os pais e também os alunos. O Ministério da Educação desenhou um mapa de percurso para a construção desse novo currículo. Nele apareciam marcos e datas, então todos sabiam o que aconteceria, quais as discussões, e houve tempo para responder questionários e reunir feedback. Foram organizados seminários para entender as necessidades das comunidades locais e a proposta foi publicada em uma rede aberta para sugestões e opiniões. Tivemos sucesso porque as pessoas que promoviam as mudanças foram incluídas no processo desde o início. 
Quanto tempo foi reservado para esse processo?
Em 2012 foram fixadas as novas regras para alocação de horas escolares e sugeridos os objetivos gerais da Educação Básica. A partir daí se iniciou um trabalho que durou dois anos. Primeiro, aconteceram discussões em nível nacional, mas Helsinque, por ser capital, iniciou ao mesmo tempo. No primeiro semestre de 2014 foram feitas as conversas nas diferentes regiões do país. Em lugares mais remotos, cidades próximas entre si formaram uma rede para discutir o assunto. Em seguida aconteceu a formação de professores, que é contínua. As novas práticas só foram implementadas no início do ano letivo de 2016, em agosto.
Qual foi a participação dos professores e da sociedade na construção do currículo?
Desde 2012 foram envolvidos professores, gestores, líderes, grupos de professores (eles não têm coordenadores, os educadores se reúnem em grupos colaborativos). Quando se discute o que precisava ser mudado, é muito importante entender os motivos pelos quais se promove a mudança. Se você não entende as razões dela, você pode até seguir ordens, mas o envolvimento é superficial. Acredito que o empoderamento e o envolvimento de todos são valores centrais da Educação finlandesa. Em Helsinque, por exemplo, um dos valores mais fortes é a participação dos cidadãos. Perguntamos aos pais quais deveriam ser os objetivos da nossa Educação e aos alunos coisas como “Como você aprende melhor?”, “Quais são os seus sonhos para a escola do futuro?” e “Como você enxerga a tecnologia?”. As ideias que eles deram podem ser vistas no nosso currículo. Um exemplo que me marcou nas discussões é que as crianças disseram: “nós queremos ter prazer em aprender”. E isso foi levado muito em consideração na construção curricular.  
“Quando se discute o que precisa ser mudado, é importante entender os motivos da mudança. Se você não entende as razões dela, pode até seguir ordens, mas o envolvimento é superficial”
Leia a reportagem completa em:
https://novaescola.org.br/conteudo/4969/transparencia-e-inclusao-fizeram-a-finlandia-ter-sucesso-com-sua-nova-base

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