quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O que o país pode aprender com o bem-sucedido modelo de educação implantado na Coréia do Sul



1. Concentrar os recursos públicos no ensino fundamental – e não na universidade – enquanto a qualidade nesse nível for sofrível

2. Premiar os melhores alunos com bolsas e aulas extras para que desenvolvam seu talento

3. Racionalizar os recursos para dar melhores salários aos professores

4. Investir em pólos universitários voltados para a área tecnológica

5. Atrair o dinheiro das empresas para a universidade, produzindo pesquisa afinada com as demandas do mercado

6. Estudar mais. Os brasileiros dedicam cinco horas por dia aos estudos, menos da metade do tempo dos coreanos

7. Incentivar os pais a se tornarem assíduos participantes nos estudos dos filhos.

Uma saída eficiente para a escassez de dinheiro na época em que a Coréia era pobre foi colocá-lo no lugar certo – as salas de aula do ensino fundamental, onde estava a massa dos estudantes. Funcionou lá e poderia dar certo por aqui. A Coréia também entendeu cedo que o professor é a alma do processo de aprendizado. Por isso, o governo fez desse ofício um dos mais bem pagos e respeitados do país. Para os professores coreanos, ter mais de um emprego, coisa comum no Brasil, não só é proibido por lei como soa ilógico. "Não entendo como pode funcionar assim no Brasil", espanta-se a professora Yang Sue Icyung. Por fim, a Coréia conseguiu implantar um sistema movido pela idéia do mérito, no qual os bons estudantes são premiados desde a escola até a vida adulta. Foi com essa cartilha que o país conseguiu entrar no século XXI capaz de alcançar renda per capita equivalente à de países europeus e um altíssimo nível de desenvolvimento tecnológico. Na capital, Seul, os motoristas pilotam carros guiados por um sistema que informa as melhores ruas para evitar um engarrafamento, os trens do metrô têm telões de plasma e, nas residências, há geladeiras com monitores de computador pregados na porta que avisam quais alimentos estão em falta ou expiraram o prazo de validade. Até as igrejas da Coréia são high-tech (veja quadro). É um país, no entanto, ainda marcado pelas cicatrizes de uma crise econômica, a de 1997, que não só fez a renda despencar como revelou uma fragilidade institucional típica de nações em desenvolvimento. Ainda hoje os coreanos desconfiam da pujança econômica e poupam para ter provisões no caso de nova crise, fato incômodo para um país que sonha reviver os tempos em que a economia crescia embalada por taxas na casa dos dois dígitos. Em 2004, o PIB da Coréia cresceu 5% – taxa semelhante motivou um foguetório no Brasil –, o que é motivo de desalento. Apesar dos contratempos, os coreanos sabem que construíram uma nação que já deu certo graças à revolução pela educação. Basta olhar para os jardins da universidade Postech para ter um exemplo disso: a instituição reservou um terreno de 300 metros quadrados onde pretende espetar estátuas de bronze dos futuros prêmios Nobel produzidos nas suas salas de aula. "Estamos obcecados com essa idéia", diz o diretor Oh Dong-Ho. Ninguém duvida de que vão conseguir concretizá-la.

Fonte: Revista Veja Edição 1892 . 16 de fevereiro de 2005

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